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06 de Novembro de 2018

Ensinar tem a ver com estar junto

Incentivos simples podem contribuir para que os pequenos cresçam mais confiantes e encarem a vida de maneira mais saudável

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#PraCegoVer As pequenas mãos de uma criança estão brincando de encaixar blocos coloridos. Esse tipo de brincadeira pode ser uma forma de incentivar a autonomia em crianças FOTO: Divulgação

Fazer com que as crianças percebam que suas ações fazem parte de um movimento maior é um grande desafio para pais e educadores. Recolher os brinquedos faz parte da organização da casa, cooperar com os colegas faz parte da organização da escola, reduzir a produção, reciclar e compostar o lixo faz parte da organização da cidade e do planeta. Estes são pequenos exemplos de como as ações de cada pessoa não são isoladas no mundo. Estamos conectados, vivendo na mesma rua, na mesma cidade, no mesmo planeta que 7,6 bilhões de pessoas. Mas como iniciar e quais os retornos deste diálogo com as crianças?

Uma pesquisa realizada na Universidade de Montreal com 78 pais e filhos divulgada em 2015 pela Revista Crescer mostrou que, quando a autonomia é incentivada em crianças, há um impacto positivo na função executiva, um dos pilares do desenvolvimento cognitivo. Essa função engloba o raciocínio, a capacidade de resolução de problemas e flexibilidade de tarefas, além da capacidade de planejamento e execução de atividades.

Márcia Murillo, pedagoga que atua na área de Educação da Mercur, entende que desde cedo  é preciso criar momentos de diálogo e reflexão sobre o mundo que nos cerca com as crianças. “É um trabalho cotidiano, de incentivo, de conscientização e de apoio. Ensinar tem a ver com estar junto. Tem a ver com escuta das crianças neste espaço de começos na vida. Pensar em assuntos desta natureza com as crianças desde pequenas, possibilita que cresçam em ambientes críticos, reflexivos e democráticos”, ressalta.

Incentivo e confiança

Incentivo e confiança na realização de tarefas da vida diária, como se alimentar, servir um copo de água ou arrumar a mochila são pequenas ações cotidianas, com rotinas, que auxiliam a criança a compreender suas possibilidades e lugar no mundo. A pedagoga ressalta que o papel dos pais neste processo é participar, acompanhar de perto, dialogar, mostrar, fazer com que pensem sobre suas atitudes e, acima de tudo, estar perto. “Qualquer fato, qualquer pergunta pode virar chancela ou abertura para uma importante conversa. Se algo quebrou, podemos explicar que tem conserto e não precisa comprar algo novo. Podemos consertar juntos, se for possível. Precisamos ensinar a cuidar, antes das coisas materiais, das relações que temos, das que podemos ter. O que é meu, o que é do meu amigo, o que é nosso, o que é do mundo e como me relaciono e aprendo com isso? Como me cuido? Como cuido do meu amigo?”, questiona.

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#PraCegoVer Quatro pessoas, crianças e adultos, juntam suas mãos no centro da imagem, como um símbolo de união

Ela alerta ainda sobre a importância de explicar para a criança que toda escolha gera consequências e de instruir sobre reflexão antes das escolhas. No início será difícil compreender os desdobramentos, mas neste momento os pais podem ajudar a nomear e validar sentimentos como a frustração ou a raiva, por exemplo, que serão temporários e podem ensinar que é preciso manter o que foi pré-estabelecido.

É importante também incentivar a persistência. Pode parecer difícil para uma criança conseguir montar um quebra-cabeças. E é mesmo! Os pais precisam incentivar que siga tentando ao invés de fazer por ela. Isso fará uma diferença enorme no futuro.

Desenvolvimento por fases ou etapas

O que esperar em cada idade da criança? Segundo a pedagoga há importantes fases ao longo de uma vida. “Nascemos, mas não sabemos tudo o que nos espera, nem das dificuldades de viver. Uma criança precisa estar junto com os adultos para ser acolhida e constituir seu próprio caminhar, ao longo de sua vida. Não saberá tudo logo que nasce. Precisará “COMviver” para entender, aprender, ler e agir no mundo em que vive, seja na sua casa, na sua escola, com seus amigos, enfim. Aprendizagem, autonomia, convivência tem a ver com isso, com o grau de entendimentos de “combinados” sociais que permeiam nossas relações e nossos fazeres e não com tarefas organizadas por idade”, comenta.

Inspiração

Um convite para que pais e educadores se inspirem como agentes de transformação é a série ‘Corações e mentes’, que apresenta ações realizadas por oito escolas que repensaram seus processos de ensino e aprendizagem. Toda sexta-feira do mês de outubro, um novo capítulo foi ao ar no GNT. A série segue disponível no VideoCamp. A Mercur é apoiadora da iniciativa que pretender mostrar como essas iniciativas contribuem para que jovens, crianças e adultos se tornem criadores de novas formas de ser, conviver e pensar, e que coloquem em prática mudanças cruciais em suas vidas e comunidades. Saiba mais neste link

 

Informações para a Imprensa:

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