Representatividade e identificação por meio da Escrita de Sinais - Mercur

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Representatividade e identificação por meio da Escrita de Sinais

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18/09/2018

Representatividade e identificação por meio da Escrita de Sinais

Mercur e Grupo Sinais da UFRGS uniram-se para pensar formas de atender as necessidades da comunidade surda em produtos para a educação

Um tubo de cola gel está em cima da mesa.

A língua de sinais é uma linguagem gestual e visual, natural dos deficientes auditivos. Essa forma de expressão não é universal, pois cada país tem uma língua própria. Aqui no Brasil, por exemplo, existe a Língua Brasileira de Sinais, conhecida como Libras, que foi reconhecida por meio da Lei 10.436 em 2002. A Libras permite que pessoas surdas e ouvintes possam interagir entre si, fazendo com que o surdo possa ter acesso a informações que estão a sua volta, tornando-o um cidadão com direitos, deveres e responsabilidades.

Esta ideia muito se assemelha ao projeto da Mercur chamado Diversidade na Rua (DNR). Pensado como um espaço de educação, acessibilidade e diversidade, o DNR busca entender as reais necessidades das pessoas. E foi pensando nisso que a parceria com o Grupo Sinais, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), aconteceu. O objetivo era encontrar uma maneira de tornar produtos da área de educação como borracha, lápis de cor e giz de cera, por exemplo, acessíveis a comunidade surda. A coordenadora do Grupo Sinais, professora Adriana da Silva Thoma, conta que para este trabalho designou pessoas do grupo, que entendiam especificamente sobre o tema, para pensar com a equipe da Mercur como fazer essa ideia se tornar realidade.

Com o insight de criar sinais para os materiais da Mercur, surgiu a ideia de realizar a escrita de sinais nos produtos. Adriana conta que para chegar ao resultado uma série de etapas foram realizadas. “Foi feita uma análise dos materiais, como lápis, borracha, tinta guache e discussões sobre como descrever o produto surgiram. Em um lápis, por exemplo, descreveríamos ele como verde ou verde escuro? Tínhamos que atentar para o espaço do material”, explica.

A professora contou também que quando um novo produto é desenvolvido, a Mercur e o Grupo Sinais reúnem pessoas surdas para fazer o batismo. “Quando o produto é lançado, o pessoal realiza o batismo e dá nome ao produto”, comenta. Estas iniciativas são percebidas por Adriana como uma questão extremamente inovadora. Ela explica que no sentido social, onde o ser humano é um objeto de consumo, todas as pessoas têm direito de serem consumidoras e terem acesso a serviços e produtos. “Consumo não é uma análise nem boa nem ruim, mas simplesmente uma lógica de nosso tempo. E os surdos estão inseridos nisso”, complementa. Isso quer dizer que por meio de produtos sinalizados com escrita de sinais, a representação de quem se comunica por Libras está clara e presente.

A acessibilidade na educação

Ao percebermos a língua de sinais como um objeto de consumo, Adriana fala que existem cursos online, produtos e muitas outras temáticas disponíveis por aí. Para ela, esta moeda tem dois lados: “Um lado é a valorização. O outro, um nicho de mercado. Mas existem empresas que tem o interesse de fazer com que as pessoas realmente se identifiquem com seus produtos e isso não é só um fetiche cultural”, elucida ao dar o exemplo da Mercur, que confecciona produtos com a escrita de sinais estampada, tornando isso, além de real e verdadeiro, uma experiência.

Ela relembra histórias de professores de educação infantil que vibraram com essa conquista e ficaram felizes com a possibilidade de crianças surdas se reconhecerem e de finalmente se sentirem representadas. “Esses produtos nas escolas, querendo ou não, podem ser vistos como um modo de fazer com que a língua circule, seja mais aprendida e disseminada ao mesmo tempo que ela é valorizada e reconhecida como uma língua e uma cultura. Um dos motivos para o grupo ter aceitado essa parceria foi por termos percebido que a Mercur está atenta a questões de mobilidade e de acessibilidade”, completa.

Um tubo de tinta têmpera guache está em cima da mesa.

A escrita marcada nos produtos é uma forma de disseminar a língua de sinais, tanto para os aprendizes surdos quanto aos ouvintes. “Eles estarem mexendo nesses materiais e vendo os desenhos, de alguma maneira instiga a querer saber o significado daquilo e é uma oportunidade do professor trabalhar ou utilizar esse recurso para ensinar as cores ou tantos outros aprendizados da língua de sinais”, comenta Adriana que interpreta essa possibilidade como uma questão de identificação. “Os surdos que nós acompanhamos em oficinas vibravam com essa possibilidade de se verem representados e de terem suas próprias falas presentes em produtos, algo que até pouco tempo praticamente não existia”, conta.

Libras e Escrita de Sinais: existe diferença?

A líder do Grupo Sinais explica que a diferença entre a língua de sinais e a língua oral é a forma de registro. Enquanto a dos ouvintes é repleta de grafias, a de sinais apresenta apenas gestos. “A língua de sinais não é diferente da escrita de sinais, ela é a língua de sinais escrita”, comenta Adriana. A história da escrita de sinais começou por volta de 1974, quando uma bailarina e coreógrafa dinamarquesa, chamada Valerie Sutton, criou um sistema para escrever danças e movimentos. A partir deste feito, pesquisadores das línguas de sinais se interessaram pelo sistema e solicitaram à Valerie que registrasse sinais gravados em filmes – até então única maneira de registro existente. Adriana explica que foi a partir dessa iniciativa que a Libras, como outras línguas de outros países, foi desenvolvida e começou a ser registrada.

Buscando acessibilidade para todos: e o Braile?

O Braile é um sistema de escrita tátil utilizado por pessoas que são cegas ou possuem baixa visão. Esta linguagem escrita, que surgiu em 1825, foi desenvolvida pelo francês Louis Braille. A partir da combinação de seis pontinhos em alto relevo originaram-se 63 símbolos que representam letras, números e sinais de pontuação.

A Mercur ainda não dispõe de produtos que apresentam a linguagem Braile, pois a confecção dos símbolos tornaria o custo dos produtos muito elevado, inviabilizando o acesso para todos, que é um dos principais objetivos do DNR. Como alternativa pais, professores e educadores podem escrever o nome das cores no giz de cera, por exemplo, com tinta em alto relevo. Desta forma, os materiais escolares se tornam mais acessíveis e inclusivos. Confira o vídeo que preparamos com dicas:

Grupo Sinais

Segundo Adriana Thoma, o Grupo Sinais nasceu em 2008 na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, tornando-o um grupo essencialmente institucional. Embora o nome nos leve a imaginar que o trabalho seja realizado apenas com língua de sinais e surdos, na verdade a sigla significa Sujeitos, Inclusão, Narrativas, Alteridades e Identidades. Dentro dele atuam diversos pesquisadores, professores, alunos de pós e graduação que, a partir dos conceitos presentes no nome do grupo, desenvolvem pesquisas e trabalhos.

O Diversidade na Rua

Em sua concepção, o projeto da Mercur chamado Diversidade na Rua surgiu pela necessidade de compreensão mais abrangente sobre o ambiente da Educação porque a empresa repensou o seu papel neste campo. A partir disso iniciou um relacionamento com diferentes instituições conectadas ao assunto e escolas de Santa Cruz do Sul, onde está localizada. Em pouco tempo o projeto cresceu e hoje conta com parceiros e pessoas de todo o País que desejam um mundo mais inteligente e afetivo para acolher as pessoas através da acessibilidade e inclusão. Saiba mais:  www.diversidadenarua.cc.

Sobre a Mercur

A Mercur é uma empresa brasileira fundada em 1924 na cidade de Santa Cruz do Sul (RS) e começou sua trajetória com produtos derivados da borracha. Com o passar dos anos e o repensar constante de suas atividades, compreendeu que tudo o que é produzido para atender as necessidades humanas tem um impacto no ambiente, indivíduos e na sociedade. Por isso hoje assume publicamente o compromisso de participar com pessoas e organizações na criação de soluções sustentáveis para construir um mundo de um jeito bom para todo mundo. Nessa caminhada, tem descoberto novas maneiras de construir soluções com as pessoas, a partir das necessidades delas. Atualmente, a empresa conta com cerca de 700 colaboradores com um portfólio de produtos voltados aos segmentos de educação e saúde: borrachas de apagar, giz de cera, bolsas térmicas, muletas e produtos voltados à pessoa com deficiência.

Informações para a Imprensa
Engaje Comunicação Inteligente
Fernanda Dreier e Gabriela Fritsch
(51) 3378.1136
mercur@engajecomunicacao.com

 

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